verde de troncos
assimétricos e o vento
que não dança
.
açúcar e Coltrane - passos
de gatos lestos
.
cão aos pés do
vagabundo – hortas urbanas e
mulheres que passam
a mirar o céu,
- uma lágrima
.
homens sérios apanham
chuva fria
.
nudez de corpo,
mulher de oliveira – asaves saltitam
.
baratas na casa
velha – mulher e cão,varanda de metal
.
velho com saco,
o elétrico chia semprenas curvas
.
muralha do castelo,
daqui vê-se o rio e as fontesda tua alma
.
bankok - crianças
banham-se em alguidares
grandes – novembro
.
rio de janeiro
.
de setembro
no verão quente
não sei haicai
só sei parar o tempo - grandes – novembro
.
velhos chutam
vida com lata na rua –rio de janeiro
.
mulher e homem
dançam – chuva levede setembro
.
águas de Mississipi –
blues de suor e esguelha no verão quente
.
não sei haicai
câmara ação
.
faz vento e sombra
traz flor amarelo-laranja
que Deus sorria
.
mulher e criança
estrada de terra batidavão comprar azeite
.
sol entre os ramos
da oliveira – bebe água,sacia-te e vamos
.
galinhas e o lagar
vazio – outra mulher e sorrisodinheiro e adeus
.
sol desenha sombras
a menina saltita – tem flores no cabelo
.
um ombro espreita-me
na vida – por entre os pássaros
que chilreiam lume
.
vento forte no
sopé do vulcão - flor do
Japão resiste
sopé do vulcão - flor do
Japão resiste
.
fica no mapa o
retângulo - ficam no
mar os rostos
.
oliveira e terra
fado e tão só as almas
em imersão
éden sem censo
estrada sem saudade
e tudo mais
.
tão branco quanto
luz - nas dunas, o sussuro
exalado do mar
(foto de Maria Margarida Oliveira Ramos)
.
pescoço para
cima - velho e menino
veem liberdade
(foto de Maria Margarida Oliveira Ramos)
.
sol entre ramos
da oliveira - sacia o
ar do caminho
sol entre ramos
da oliveira - sacia o
ar do caminho
.
burro – lento,
burro – lento,
força simbólica de país
que não desiste
.
velhos sentados
na raiz da árvore
sem sombra
.
serem multidão
.
dois rastafaris
a bola chutada
sem sombra
.
mulheres falam
mulheres conversam semserem multidão
.
dois rastafaris
saltam no areal e nenhum
marca golo
.
a bola chutada
e a onda não devolveu
vento frio
.
Mali - no deserto
já viste um
corno de áfrica
.
Mali - no deserto
árvore tombada marca
fronteira
.
já viste um
rosto de fome e frio
sem vazio
.
corno de áfrica
todas as estações são negras
e secas
.
homens esperam
.
homens esperam
uma chave – sol baila
entre andaimes
.
.
melro saltita
na relva – criança pesquisa
uma formiga
choverá hoje?
.
vagabundo cofia
.
mulher africana
.
onda nos pés
da senhora com frio –
caniche ladra
mudar de cor
.
mar, fim de dia
.
mostra desenho
a vida a sumir
.
viola elétrica
.
como saberíamos
se não víssemos a fome
na televisão
se pode dividir
.
desligo televisor
.
.
fado improvisado
.
lua cheia, homem
.
deserto – viajantes
.
terra queimada
.
árvores, vento
.
cai a noite, os
.
mulher e homem
aguardam autocarro -mulher e homem
choverá hoje?
.
vagabundo cofia
a barba – cão dorme
a seus pés
.
mulher africana
ri alto – uma festa nos
seus lábios
.
banda de jazz
.
banda de jazz
sem baterista, improvisa
antes que chova
.
onda nos pés
da senhora com frio –
caniche ladra
.
menina pinta
lamenta o mar e céu pormenina pinta
mudar de cor
.
barco atravessa
horizonte, nuvens negras
vento e solidão
.
mar, fim de dia
os passos marcados na
areia – silêncio
.
hospital vazio
ao fundo risos, homemmostra desenho
.
mulher idosa
observa através da janelaa vida a sumir
.
automóvel trava
esquilo morto – crianças
lamentam
.
viola elétrica
beco escuro de rua velha
homem cego
.
como saberíamos
na televisão
.
observo fatia
de pão – em quantos pedaçosse pode dividir
.
morrer de fome
realidade atroz mostra
que tudo falhou
.
desligo televisor
oro pelos famintos e mais
um dia de vida
.
dylan canta e as
árvores de new orleans
bailam ritmadas
.
fado improvisado
em taberna antiga – a rua
desce até ao cais
.
lua cheia, homem
de casaco escuro espera
mulher e futuro
.
deserto – viajantes
escutam griot cantarolar
fogueira acesa
.
terra queimada
flor branca vacilante - troncos
negros fumegam
.
árvores, vento
asfalto ondula na tarde
pardais e melros
.
cai a noite, os
passos de quem passa
gratos sorrisos
.
antes que chova
.
sobra o mar
depois do sonho rebentado
do naufrágio
.
nem por isso
.
e para o ocioso
.
faz séculos
tarde quente
.
velho improvisa
com velho saxofone –
brisa da marina
.
de ti, oliveira
.
tarde e sol
.
sobra o mar
depois do sonho rebentado
do naufrágio
.
a desistência
.
das figueiras
.
rua de alfama
bashô sorriria aos
gritos do mulherio
.
todas as primaveras
.
por pão e sopa
.
.
ao entardecer
terra de tchaikovski
beleza da flor
vestida como mulher
de mel
.
os seios nus
o lago estendido no
calor – tarde
.
e logo voará
que não dança
.
duas formigas –
- não lutam pela mesma
folha de erva
.
nascem as sombras
a noite e os teus passos
hera lenta
tela espalhada na cor
de várias dores
na mão – na sombra da
figueira, o sonho
ilha e vento, casa caiada
pintor e sorriso
Verão a criança pinta –
klee observa
os monstros trazem fogos
alados – primavera
a melancolia dos edifícios
enquanto chove
para te ver na cor do
ventre de agonia – sol
e terra vermelha
anjo preso ao
violino – céu azul onde
metáfora voa
a nudez ronrona como
vida quente
.
banda de jazz
sem baterista, improvisaantes que chova
.
depois do sonho rebentado
do naufrágio
.
poeta tem idade
a oliveira e a poesianem por isso
.
trabalho árduo
a solução para a formigae para o ocioso
.
cala-te e trabalha,
vento mas isso já tu sabesfaz séculos
.
canção blues suave
em velha telefonia com pó –tarde quente
.
velho improvisa
com velho saxofone –
brisa da marina
.
segunda – feira
e o vento com saudadesde ti, oliveira
.
criança brinca
com dente-de-leãotarde e sol
.
sobra o mar
do naufrágio
.
homem observa
o mar – nos seus olhosa desistência
.
eu e tu – toda
a primavera – e a sombradas figueiras
.
rua de alfama
gritos do mulherio
.
Deus não é um
plátano-gigante mas simtodas as primaveras
.
Luis, o vagabundo
vende brinquedos de lixopor pão e sopa
.
era tão tarde
ela tão bela eu tão
cansado - noite
ela tão bela eu tão
cansado - noite
.
cipreste dança -
o autocarro não espera
e não importa
o autocarro não espera
e não importa
.
oitenta pardais
dois aguaceiros, um céu ao entardecer
.
o gelo estalado
baila em kamsko votkinskterra de tchaikovski
.
beleza da flor
de mel
.
os seios nus
o lago estendido no
calor – tarde
.
tronco morto
pequeno pisco saltitae logo voará
.
verdes de troncos
assimétricos e o ventoque não dança
.
duas formigas –
folha de erva
.
nascem as sombras
a noite e os teus passos
hera lenta
.
(pollock)
novembro de frio –tela espalhada na cor
de várias dores
.
(dali)
com uma colherna mão – na sombra da
figueira, o sonho
.
(pablo)
dorso de mulherilha e vento, casa caiada
pintor e sorriso
.
(klee)
nas costas doVerão a criança pinta –
klee observa
.
(van gogh)
absinto e ventaniasos monstros trazem fogos
alados – primavera
.
(rothko)
mestre, cante-mea melancolia dos edifícios
enquanto chove
.
(miró)
fecho os olhos para te ver na cor do
tombo – barcelona
.
(frida)
vulcão rasgadoventre de agonia – sol
e terra vermelha
.
(chagall)anjo preso ao
violino – céu azul onde
metáfora voa
.
(klimt)
volúpia de seda – a nudez ronrona como
vida quente
.
o haicai longo
revoltou-se e gritou
para onde fostes, vento...
.
... o haicai curto
respondeu: abre os olhos
estou onde sempre estive.
.
(brasil)
vento leve - vem
do brasil - como samba ou
bonito sabiá
.
assimétrica e repete-se
o haicai longo
revoltou-se e gritou
para onde fostes, vento...
.
... o haicai curto
respondeu: abre os olhos
estou onde sempre estive.
.
(brasil)
vento leve - vem
do brasil - como samba ou
bonito sabiá
.
assimétrica e repete-se



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