Sofrer a eternidade
como os anjos
Sofrer o bem
preso ao Éden
Sofrer o infinito
o silêncio
Sofrer o silêncio
Sofrer o silêncio
histórias do deserto . carlos teixeira luís
sábado, 17 de fevereiro de 2018
sábado, 22 de abril de 2017
Lista de Compras
Lixívia
Amaciador para roupa, dos baratos, amarelo
Óleo para fritar
Detergente para máquina de lavar roupa
Iced tea
Pão a sério
Peixe para grelhar
Alface verdadeira
Fiambre, aí umas 200 gramas
Iogurtes normais, alguns de morango
Leite
Lava tudo, que não seja de lavanda
Creme limão, a imitar o Cif
Pensos normais, com aba, caixa grande
Vodka, muita vodka
Frango assado, metade com piri piri
Um mundo novo, com mais água
Cachaça do velho barreiro, ligeiramente adocicada
mas ninguém repara
Um novo Governo, eleito por cães e gatos
Um novo programa de Educação
Um novo Portugal
Um novo país de gente que não deite lixo na rua, nos jardins, nas bermas das estradas, pela janela das traseiras
Os cantos dos arruamentos organizados por condomínios
Um novo país, pobre mas culto, limpo mas culto
Livre
Cerveja preta, não percebo a cerveja branca
Vinho tinto, não percebo o vinho branco
Livros do Herberto Helder para ficarem na estante
Salsichas
Bifes de peru, dos finos
Sal grosso
Kiwis
Iogurtes naturais
Detergente Lava Tudo, cósmico, ecológico, qualquer perfume, menos lavanda e rosas
Mangueira completa de descarga, para máquina de lavar roupa
Comida para o cão
Café solúvel
Novas olheiras para uma vida eterna
Utopias novas
Podem ser parecidas com anteriores
Uns trocos para o vagabundo barbudo que anda aos gritos com um megafone, pelas ruas, vocifera: É tudo mentira! É tudo a fingir! Fomos enganados! (a esmola é para ver se se cala, incomoda muito e não vá ter razão)
E mais nada, por agora chega
(Não leves o meu cartão de crédito, não tem platfond, abraço)
Amaciador para roupa, dos baratos, amarelo
Óleo para fritar
Detergente para máquina de lavar roupa
Iced tea
Pão a sério
Peixe para grelhar
Alface verdadeira
Fiambre, aí umas 200 gramas
Iogurtes normais, alguns de morango
Leite
Lava tudo, que não seja de lavanda
Creme limão, a imitar o Cif
Pensos normais, com aba, caixa grande
Vodka, muita vodka
Frango assado, metade com piri piri
Um mundo novo, com mais água
Cachaça do velho barreiro, ligeiramente adocicada
mas ninguém repara
Um novo Governo, eleito por cães e gatos
Um novo programa de Educação
Um novo Portugal
Um novo país de gente que não deite lixo na rua, nos jardins, nas bermas das estradas, pela janela das traseiras
Os cantos dos arruamentos organizados por condomínios
Um novo país, pobre mas culto, limpo mas culto
Livre
Cerveja preta, não percebo a cerveja branca
Vinho tinto, não percebo o vinho branco
Livros do Herberto Helder para ficarem na estante
Salsichas
Bifes de peru, dos finos
Sal grosso
Kiwis
Iogurtes naturais
Detergente Lava Tudo, cósmico, ecológico, qualquer perfume, menos lavanda e rosas
Mangueira completa de descarga, para máquina de lavar roupa
Comida para o cão
Café solúvel
Novas olheiras para uma vida eterna
Utopias novas
Podem ser parecidas com anteriores
Uns trocos para o vagabundo barbudo que anda aos gritos com um megafone, pelas ruas, vocifera: É tudo mentira! É tudo a fingir! Fomos enganados! (a esmola é para ver se se cala, incomoda muito e não vá ter razão)
E mais nada, por agora chega
(Não leves o meu cartão de crédito, não tem platfond, abraço)
domingo, 12 de março de 2017
noite de noites frias
relva de eira entre prédios
passos de cão
silêncio de pé torto
queda de sombra e candeeiro
sobra madrugadas
dias de vento com facas
as noites frias como danças roucas
murmuravam as horas
cantam os carros na avenida
passos de cão
silêncio de pé torto
queda de sombra e candeeiro
sobra madrugadas
dias de vento com facas
as noites frias como danças roucas
murmuravam as horas
cantam os carros na avenida
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Em cima da mesa
de madeira um livro de Lydia Davis. Ao lado direito, a chávena, ainda fumegante de chá. Um bloco de apontamentos de capa negra de cartão e uma esferográfica vulgar de tinta preta. Mas aonde fora? Quando iria voltar? O rádio apanhava jazz e estática. Nem frio nem calor, um silêncio morno.
terça-feira, 5 de abril de 2016
segunda-feira, 28 de março de 2016
Dores, trabalho & blues
Conduzia.
Deixou de o fazer depois do acidente. Idade a mais. Deixou de beber e foi visitar as filhas.
A cada uma deixou um cheque. À mais nova um cão.
Partiu na velha carrinha a ouvir blues, Mississipi John Burt ou coisa assim. Nunca mais o viram. A viajar por aí, sempre a cantar. Com um velho amigo, negro, coxo e excelente condutor.
Uma suave reforma depois de uma vida muito dura. Bem, penso que foi mais ou menos assim.
Deixou de o fazer depois do acidente. Idade a mais. Deixou de beber e foi visitar as filhas.
A cada uma deixou um cheque. À mais nova um cão.
Partiu na velha carrinha a ouvir blues, Mississipi John Burt ou coisa assim. Nunca mais o viram. A viajar por aí, sempre a cantar. Com um velho amigo, negro, coxo e excelente condutor.
Uma suave reforma depois de uma vida muito dura. Bem, penso que foi mais ou menos assim.
sábado, 27 de fevereiro de 2016
Post It
A solidão está com frio, fome e sono.
A chuva baila na irmandade solta dos vagabundos.
Nas noites de nevoeiro os autocarros verdes de dois pisos da memória aceleram pela cidade deserta, sem condutor e sem pica-bilhetes.
Num futuro próximo, num mundo alagado, os homens viverão em submarinos amarelos, para se diferenciam das águas de lodo e algas. Sargent Peppers será uma estrela, debaixo de um céu de diamantes.
A chuva baila na irmandade solta dos vagabundos.
Nas noites de nevoeiro os autocarros verdes de dois pisos da memória aceleram pela cidade deserta, sem condutor e sem pica-bilhetes.
Num futuro próximo, num mundo alagado, os homens viverão em submarinos amarelos, para se diferenciam das águas de lodo e algas. Sargent Peppers será uma estrela, debaixo de um céu de diamantes.
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Os Objectos
Devia de haver mais felicidade. Não há suficiente felicidade.
A melancolia é uma forma de felicidade. Suave, como uma brisa. Vulgar e permanente. Abundante. Só de vez em quando é que há um tufão ou um tornado.
As coisas não saem do sítio onde as deixamos. A menos que lhes peguemos e as mudemos de lugar. Coisas são coisas. Não são cães. Um cão sempre pode roer o sofá quando não estamos presentes.
A melancolia é uma forma de felicidade. Suave, como uma brisa. Vulgar e permanente. Abundante. Só de vez em quando é que há um tufão ou um tornado.
As coisas não saem do sítio onde as deixamos. A menos que lhes peguemos e as mudemos de lugar. Coisas são coisas. Não são cães. Um cão sempre pode roer o sofá quando não estamos presentes.
terça-feira, 17 de novembro de 2015
"Carvão"
Carvão
Que sabem da poesia? A não ser o que os mestres da
perdição lhes contam.
Que sabem do Viajante Solitário? A não ser o que estava escrito.
Que percebem de palavras a não ser o que os poetas ditam.
Quem conhece, na verdade, o que Herberto diz.Que sabem do Viajante Solitário? A não ser o que estava escrito.
Que percebem de palavras a não ser o que os poetas ditam.
Quem acha que compreende Ferlingheti?
Quem, quem consulta os luares e os desconhecidos insólitos?
Quem acha que viveu no Século Prodigioso?
Quem acha que entende
Lichtenstein?Quem mora na rua dos tijolos secos, laranjas e sujos?
Quem substitui os sacrifícios de virgens a Baal e ao Deus-Sol e os atos sacrificiais de filhos
ao Deus Fumegante da Guerra, pela veneração cega aos deuses do Rock em anfiteatros de transe
alienado?
Que percebem de tranquilidade? O rio sabe.Que sabem da ecologia? De lixo percebem. E como o limpar? Como limpar as nossas cidades?
Como resolver o problema, sem o passar a outro, que passa a outro, que passa a outro, que passa a outro, que passa...
Como antes comunicar ao outro? Que não só ao nosso feio umbigo?
QUE FAZER COM O OUTRO?Que fazer com o homem que nos bate à porta?
Murmura suplicante qualquer coisa com os lábios, que não ouvimos. Cheira mal, veste pessimamente, tem ar de nómada.
Somos frios o suficiente para aguentar o inferno devorador da nossa consciência?
Ainda conseguimos ignorar que morre gente como pardais nas ruas das cidades do holocausto actual
que criamos?
Será que não fazem falta, por serem árabes ou por serem africanos?
O que nos bate à porta. Seja quem for. Não queremos que nos entre em casa.
Mas a tempestade acabou de rebentar.
Não depende da nossa vontade para travá-la.Esquecemos que hoje Um bate à porta. É corrido a pontapé como um cão sarnento.
Amanhã batem dois à porta. Noutro dia, são quatro e com seis famílias acampadas no nosso quintal a beberem água da nossa piscina como pardais sedentos.
Um dia, uma revolução passa na nossa rua, que observamos do alpendre do andar superior do nosso paraíso, a beber um mojito.
E certo dia, uma multidão incontável de homens e mulheres com roupas velhas, com fome e doentes invade a nossa casa e expulsam-nos.
E saberemos então. Como será a vida num acampamento de refugiados na cidade onde nascemos?
Como será viver sem duche, televisão e sapatos?
Como será viver sem dinheiro no bolso, sem net e sem fogão? Sem táxi ou cinema? Sem praia, penso higiénico e ar condicionado? Sem a música de Lyle Lovett, Willie Nelson ou Leonard Cohen? E a literatura suja do velho Bukowski? Sem as torradas de manhã e o tinto ao almoço? Sem a poesia de Whitman, ou do grande
Que pérfido dia! Que posso fazer por vós? Que podem fazer por nós?
Sou apenas o mais comum dos cães sem raça das alamedas despidas da cidade velha.
Não sabemos. Pura e simples. Não sabemos.
Queremos mais e não sabemos do quê! Que morramos já!
A falta que fazemos aos vermes também eles famintos!
Ago.07
...
...
Poema de 2007. Publicado no meu 1º livro: "Tijolos de Verde Rude", de 2008. Um poema dito por um qualquer homem comum ao balcão da sua tasca preferida. Era para ser um poema escrito por quem não é poeta e apenas expressa pensamentos e inquietações.
Este poema pensa no Outro que nos chega de longe e que olhamos com estranheza. Decidi publicá-lo novamente, aqui. Nestes dias de falta de Razão e Paz. Penso muito nos "refugiados". Não os chamo assim na minha mente. São Homens, Mulheres, Velhos e Crianças. Somos nós que estamos ali também. O Outro somos nós. Somos todos Nós. Esta deveria ser a Fórmula Resolvente a aplicar aqui, ali e acolá.
Bem hajam.
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
a beleza é assimétrica e repete-se (haicais 2010 a 2012)
verde de troncos
assimétricos e o vento
que não dança
.
açúcar e Coltrane - passos
de gatos lestos
.
cão aos pés do
vagabundo – hortas urbanas e
mulheres que passam
a mirar o céu,
- uma lágrima
.
homens sérios apanham
chuva fria
.
nudez de corpo,
mulher de oliveira – asaves saltitam
.
baratas na casa
velha – mulher e cão,varanda de metal
.
velho com saco,
o elétrico chia semprenas curvas
.
muralha do castelo,
daqui vê-se o rio e as fontesda tua alma
.
bankok - crianças
banham-se em alguidares
grandes – novembro
.
rio de janeiro
.
de setembro
no verão quente
não sei haicai
só sei parar o tempo - grandes – novembro
.
velhos chutam
vida com lata na rua –rio de janeiro
.
mulher e homem
dançam – chuva levede setembro
.
águas de Mississipi –
blues de suor e esguelha no verão quente
.
não sei haicai
câmara ação
.
faz vento e sombra
traz flor amarelo-laranja
que Deus sorria
.
mulher e criança
estrada de terra batidavão comprar azeite
.
sol entre os ramos
da oliveira – bebe água,sacia-te e vamos
.
galinhas e o lagar
vazio – outra mulher e sorrisodinheiro e adeus
.
sol desenha sombras
a menina saltita – tem flores no cabelo
.
um ombro espreita-me
na vida – por entre os pássaros
que chilreiam lume
.
vento forte no
sopé do vulcão - flor do
Japão resiste
sopé do vulcão - flor do
Japão resiste
.
fica no mapa o
retângulo - ficam no
mar os rostos
.
oliveira e terra
fado e tão só as almas
em imersão
éden sem censo
estrada sem saudade
e tudo mais
.
tão branco quanto
luz - nas dunas, o sussuro
exalado do mar
(foto de Maria Margarida Oliveira Ramos)
.
pescoço para
cima - velho e menino
veem liberdade
(foto de Maria Margarida Oliveira Ramos)
.
sol entre ramos
da oliveira - sacia o
ar do caminho
sol entre ramos
da oliveira - sacia o
ar do caminho
.
burro – lento,
burro – lento,
força simbólica de país
que não desiste
.
velhos sentados
na raiz da árvore
sem sombra
.
serem multidão
.
dois rastafaris
a bola chutada
sem sombra
.
mulheres falam
mulheres conversam semserem multidão
.
dois rastafaris
saltam no areal e nenhum
marca golo
.
a bola chutada
e a onda não devolveu
vento frio
.
Mali - no deserto
já viste um
corno de áfrica
.
Mali - no deserto
árvore tombada marca
fronteira
.
já viste um
rosto de fome e frio
sem vazio
.
corno de áfrica
todas as estações são negras
e secas
.
homens esperam
.
homens esperam
uma chave – sol baila
entre andaimes
.
.
melro saltita
na relva – criança pesquisa
uma formiga
choverá hoje?
.
vagabundo cofia
.
mulher africana
.
onda nos pés
da senhora com frio –
caniche ladra
mudar de cor
.
mar, fim de dia
.
mostra desenho
a vida a sumir
.
viola elétrica
.
como saberíamos
se não víssemos a fome
na televisão
se pode dividir
.
desligo televisor
.
.
fado improvisado
.
lua cheia, homem
.
deserto – viajantes
.
terra queimada
.
árvores, vento
.
cai a noite, os
.
mulher e homem
aguardam autocarro -mulher e homem
choverá hoje?
.
vagabundo cofia
a barba – cão dorme
a seus pés
.
mulher africana
ri alto – uma festa nos
seus lábios
.
banda de jazz
.
banda de jazz
sem baterista, improvisa
antes que chova
.
onda nos pés
da senhora com frio –
caniche ladra
.
menina pinta
lamenta o mar e céu pormenina pinta
mudar de cor
.
barco atravessa
horizonte, nuvens negras
vento e solidão
.
mar, fim de dia
os passos marcados na
areia – silêncio
.
hospital vazio
ao fundo risos, homemmostra desenho
.
mulher idosa
observa através da janelaa vida a sumir
.
automóvel trava
esquilo morto – crianças
lamentam
.
viola elétrica
beco escuro de rua velha
homem cego
.
como saberíamos
na televisão
.
observo fatia
de pão – em quantos pedaçosse pode dividir
.
morrer de fome
realidade atroz mostra
que tudo falhou
.
desligo televisor
oro pelos famintos e mais
um dia de vida
.
dylan canta e as
árvores de new orleans
bailam ritmadas
.
fado improvisado
em taberna antiga – a rua
desce até ao cais
.
lua cheia, homem
de casaco escuro espera
mulher e futuro
.
deserto – viajantes
escutam griot cantarolar
fogueira acesa
.
terra queimada
flor branca vacilante - troncos
negros fumegam
.
árvores, vento
asfalto ondula na tarde
pardais e melros
.
cai a noite, os
passos de quem passa
gratos sorrisos
.
antes que chova
.
sobra o mar
depois do sonho rebentado
do naufrágio
.
nem por isso
.
e para o ocioso
.
faz séculos
tarde quente
.
velho improvisa
com velho saxofone –
brisa da marina
.
de ti, oliveira
.
tarde e sol
.
sobra o mar
depois do sonho rebentado
do naufrágio
.
a desistência
.
das figueiras
.
rua de alfama
bashô sorriria aos
gritos do mulherio
.
todas as primaveras
.
por pão e sopa
.
.
ao entardecer
terra de tchaikovski
beleza da flor
vestida como mulher
de mel
.
os seios nus
o lago estendido no
calor – tarde
.
e logo voará
que não dança
.
duas formigas –
- não lutam pela mesma
folha de erva
.
nascem as sombras
a noite e os teus passos
hera lenta
tela espalhada na cor
de várias dores
na mão – na sombra da
figueira, o sonho
ilha e vento, casa caiada
pintor e sorriso
Verão a criança pinta –
klee observa
os monstros trazem fogos
alados – primavera
a melancolia dos edifícios
enquanto chove
para te ver na cor do
ventre de agonia – sol
e terra vermelha
anjo preso ao
violino – céu azul onde
metáfora voa
a nudez ronrona como
vida quente
.
banda de jazz
sem baterista, improvisaantes que chova
.
depois do sonho rebentado
do naufrágio
.
poeta tem idade
a oliveira e a poesianem por isso
.
trabalho árduo
a solução para a formigae para o ocioso
.
cala-te e trabalha,
vento mas isso já tu sabesfaz séculos
.
canção blues suave
em velha telefonia com pó –tarde quente
.
velho improvisa
com velho saxofone –
brisa da marina
.
segunda – feira
e o vento com saudadesde ti, oliveira
.
criança brinca
com dente-de-leãotarde e sol
.
sobra o mar
do naufrágio
.
homem observa
o mar – nos seus olhosa desistência
.
eu e tu – toda
a primavera – e a sombradas figueiras
.
rua de alfama
gritos do mulherio
.
Deus não é um
plátano-gigante mas simtodas as primaveras
.
Luis, o vagabundo
vende brinquedos de lixopor pão e sopa
.
era tão tarde
ela tão bela eu tão
cansado - noite
ela tão bela eu tão
cansado - noite
.
cipreste dança -
o autocarro não espera
e não importa
o autocarro não espera
e não importa
.
oitenta pardais
dois aguaceiros, um céu ao entardecer
.
o gelo estalado
baila em kamsko votkinskterra de tchaikovski
.
beleza da flor
de mel
.
os seios nus
o lago estendido no
calor – tarde
.
tronco morto
pequeno pisco saltitae logo voará
.
verdes de troncos
assimétricos e o ventoque não dança
.
duas formigas –
folha de erva
.
nascem as sombras
a noite e os teus passos
hera lenta
.
(pollock)
novembro de frio –tela espalhada na cor
de várias dores
.
(dali)
com uma colherna mão – na sombra da
figueira, o sonho
.
(pablo)
dorso de mulherilha e vento, casa caiada
pintor e sorriso
.
(klee)
nas costas doVerão a criança pinta –
klee observa
.
(van gogh)
absinto e ventaniasos monstros trazem fogos
alados – primavera
.
(rothko)
mestre, cante-mea melancolia dos edifícios
enquanto chove
.
(miró)
fecho os olhos para te ver na cor do
tombo – barcelona
.
(frida)
vulcão rasgadoventre de agonia – sol
e terra vermelha
.
(chagall)anjo preso ao
violino – céu azul onde
metáfora voa
.
(klimt)
volúpia de seda – a nudez ronrona como
vida quente
.
o haicai longo
revoltou-se e gritou
para onde fostes, vento...
.
... o haicai curto
respondeu: abre os olhos
estou onde sempre estive.
.
(brasil)
vento leve - vem
do brasil - como samba ou
bonito sabiá
.
assimétrica e repete-se
o haicai longo
revoltou-se e gritou
para onde fostes, vento...
.
... o haicai curto
respondeu: abre os olhos
estou onde sempre estive.
.
(brasil)
vento leve - vem
do brasil - como samba ou
bonito sabiá
.
assimétrica e repete-se
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