sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Abrir o caminho

com buldózer, para plantar betão, deitar abaixo a árvore feia e domar os selvagens nus que viviam debaixo dela. Os selvagens revoltaram-se com danças e fogueiras. Chacinar os que mais gritavam. Educar os outros. Regar tudo com betão. Decorreram várias gerações. Começou a faltar a água e o ar. Destruir o betão. Plantar árvores envergonhadas e cultivar ervas de comer. O selvagem voltou, com i-phones e net. Depois da exaustão da roupa, novamente a nudez como moda. As fogueiras e os cantos neo-hippies. Os antigos selvagens, os seus descendentes foram para longe, onde houvesse água de beber e sombra. Agora, foi a árvore velha que se revoltou. Expulsou os neo-selvagens e já não admitiu ninguém. No seu tronco, habitam ervas não-comestíveis. Na sua sombra, pequenos animais que não se comem uns aos outros. Subitamente, uma velha paz.

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