terça-feira, 21 de julho de 2015

FUTEBOL


O homem pediu um café. Serviram-lhe pó para matar baratas dissolvido em água. Pagou na mesma. Ouviu o diálogo ao lado. Dois polícias bebiam cada um a sua cerveja. Tinham os chapéus no balcão. Estavam fora de serviço?

- Futebol? Já não me interessa.
- Porquê?
- Depois deste último final de campeonato, o futebol só deu coisas estranhas, feias e decadentes aos seus amantes.
- Coisas doentias, mesmo.
- Aquilo do polícia.
- O treinador que...
- A multidão louca que estragou...
- Pensando melhor, concordo contigo. Mais vale ver golfe.

Riram-se.

- E os milhões?
- E os jogadores, estupidificados e muitos logo desde cedo.
- E tanta gente com fome.
- Gente burra e inútil.
- No mínimo.

Não riram.
O homem olhou os polícias. Eram novos, de barba feita e ar respeitável. Como um polícia deve aparentar.

- Posso vos pagar um café?

Aceitaram. Estavam em fim de turno.
Começaram os três a falar de política e de nações fracas subjugadas por nações fortes.
Na televisão do café, dava futebol.



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