quarta-feira, 17 de junho de 2015

MONOTONIA

é a felicidade. A monotonia é um bairro de casas velhas e parecidas. Uma casa velha pode-se pintar de cores abertas. A monotonia é a vida que não termina. A monotonia é os dias das crianças. As crianças abrem portais de tempo que nunca se esgota. Os adultos lutam por nada, as crianças brincam com tudo. A monotonia é Deus que não tem um tempo que começa e acaba. A monotonia é a felicidade de estender a roupa quando faz calor e comer um gelado de gelo e sabor à porta do café vazio. A monotonia é as canções de Tom Waits nos finais de tarde pesados e gordurosos de suor. A monotonia é a lentidão do crescimento das grandes árvores. É uma pena perder os mundos que crescem no seu regaço. A monotonia é o bairro onde cresci, que se pode desenhar de um lado ao outro, com traços finos em papel rugoso. A monotonia é um texto poético que se espreguiça como só um gato sabe.

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