segunda-feira, 16 de março de 2015

Escrever é ler. Ler é escrever, nunca leram e escreveram diferente na mente e novamente e mais uma vez, por vezes um texto preferido e amado? Não? Onde íamos? Escrever é penso, ler. Impossível fazer uma coisa, se a é, sem a outra, como uma filha com a mãe, se for feminina, a coisa, ou como um irmão gémeo ou como um dependente com a sua droga, e onde já vamos... Ler Tchékov ou Joyce é reescrever o texto, tantas vezes quanto as nossas leituras, fui longe demais? Ler é escrever e escrever é ler, ponto. Não consigo que seja de outra forma, leio o que ler e estou a escrever, escrevo e estou a ler, clássico ou não, literatura ou instruções para sabonetes. Por falar nisso, ainda há sabonetes, não há? Ando a ler aos anos um dos meus autores de preferência, o Raymond Carver e aquilo pega-se à pele e sempre que escrevo uma coisa qualquer, dessas tretas de que faço por aqui, por prazer ou maluquice, vem sempre o mestre ao ombro a azucrinar o juízo e lembrar-me / atormentar-me com uma descrição sucinta dum homem gordo numa esplanada, de um casal de meia idade a falar na cama, de um homem acerca de cavalos ou de gajos à pesca, estou a escrever ou estou a ler? Fico nos limbos, estou a ler o mesmo autor de sempre quando escrevo e que me leva a outros, como o Philip Roth e as suas idiossincrasias judaicas, por exemplo. Leio a conspiração contra a América do mestre Roth e dou comigo a escrever aqui, sobre o quê (adoro esta palavra). Leio ou escrevo? Que é isso de escrita poética e prosa, por amor de Deus? Não é a mesma coisa? Leitura da vidinha, dar corda aos miolos, pô-los a funcionar até queimar. E porquê (outra palavra) o fogo sempre presente, o que termina, sempre o faz no fogo, até á cinza, que o vento leva e o tempo apaga? Ler e escrever é exatamente a mesma coisa, digo eu neste momento, daqui a pouco, quem sabe? Afinal, só acrescento perguntas ao assunto. Em que é que ficamos?

Sem comentários:

Enviar um comentário