quarta-feira, 25 de março de 2015

Escrita poética Cantante, o Ofício Completo

(são citações)

abrupto termo dito último pesado
pág. 618

medo? só que o sangue vibre ainda na garganta
pág. 614

curva labareda de uma chávena
pág. 597

a faca não corta o fogo,
não me corta o sangue escrito,
pág. 572

roupas pesadas de sangue, cabeças
pág. 564

frutas, púcaros, ondas, folhas, dedos, tudo
pág. 552

mas que me importa?
pág. 543

Murmurar num sítio a frase difícil,
pág. 501

Se é uma criança, diz: eu cá sou cor-de-laranja
pág. 486

O som destroça a cana.
pág. 467

Gárgula.
pág. 436

Mulheres geniais pelo excesso da seda, mães
pág. 421

Retorna à escuridão
pág. 394

Do medo
pág. 384

Nunca durmo.
pág. 355

Boca.
pág. 353

E é cruel compreender
a inocência
pág. 328

Evapora-se a roupa, mas não sinto.
pág.249

- O tempo.
pág.229

nas portas. O céu por cima, as crinas negras
pág. 201

Falo tão devagar que mal distingo
pág. 91

Havia um homem que corria pelo orvalho dentro.
pág. 62

Do tempo novo espero
o sinal ardente e incorrupto,
mas levo os dedos ao teu nome prolongado,
ó cerrada mãe, levo
os dedos vazios -
e a tua morte cresce por eles totalmente.
pág. 50

gotas de chuva. Nas amadas
pág. 47

Transforma-se em noite extintora.
pág. 13

Falemos de casa, da morte. Casas são rosas
pág. 11

HH 1930-2015

sábado, 21 de março de 2015

Uma palavra poética para o dia de hoje. Podia ser Will Eisner o autor das novelas gráficas, não tem o seu traço único, a escrita desenhada da genialidade? Mas escolho outra palavra. E dessa palavra farei uma escrita ou um conjunto de escritos. Esperem para ver. Esperem. Conseguem faze-lo nesta era do imediato e do instantâneo? Esperem. Ou não esperem. A palavra anda por lá fora, na rua e nos campos. Vão lá descobri-la. Saiam. Entrem na Biblioteca de Deus, o mundo, cosmos por fora de vós. Ao pé dos outros está a palavra de hoje e encontrem-na rodeada de gente. Essa será a vossa palavra, encontrada com os vossos esforços, diligência e muita poética. Valorizem-na. Partilhem pois claro, que o egoísmo já vos prendeu por séculos. E será então, a palavra poética para hoje. A vossa. Porque a minha eu cá sei, pode não vos interessar coisa nenhuma. Mas também é verdade que já vos disse qual era. Estavam atentos?

quarta-feira, 18 de março de 2015

O meu maior erro a escrever, entre milhentos outros, são os fragmentos. Ora bolas, é mesmo disto que eu gosto. De fragmentos. Tudo cortado aos pedaços.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Escrever é ler. Ler é escrever, nunca leram e escreveram diferente na mente e novamente e mais uma vez, por vezes um texto preferido e amado? Não? Onde íamos? Escrever é penso, ler. Impossível fazer uma coisa, se a é, sem a outra, como uma filha com a mãe, se for feminina, a coisa, ou como um irmão gémeo ou como um dependente com a sua droga, e onde já vamos... Ler Tchékov ou Joyce é reescrever o texto, tantas vezes quanto as nossas leituras, fui longe demais? Ler é escrever e escrever é ler, ponto. Não consigo que seja de outra forma, leio o que ler e estou a escrever, escrevo e estou a ler, clássico ou não, literatura ou instruções para sabonetes. Por falar nisso, ainda há sabonetes, não há? Ando a ler aos anos um dos meus autores de preferência, o Raymond Carver e aquilo pega-se à pele e sempre que escrevo uma coisa qualquer, dessas tretas de que faço por aqui, por prazer ou maluquice, vem sempre o mestre ao ombro a azucrinar o juízo e lembrar-me / atormentar-me com uma descrição sucinta dum homem gordo numa esplanada, de um casal de meia idade a falar na cama, de um homem acerca de cavalos ou de gajos à pesca, estou a escrever ou estou a ler? Fico nos limbos, estou a ler o mesmo autor de sempre quando escrevo e que me leva a outros, como o Philip Roth e as suas idiossincrasias judaicas, por exemplo. Leio a conspiração contra a América do mestre Roth e dou comigo a escrever aqui, sobre o quê (adoro esta palavra). Leio ou escrevo? Que é isso de escrita poética e prosa, por amor de Deus? Não é a mesma coisa? Leitura da vidinha, dar corda aos miolos, pô-los a funcionar até queimar. E porquê (outra palavra) o fogo sempre presente, o que termina, sempre o faz no fogo, até á cinza, que o vento leva e o tempo apaga? Ler e escrever é exatamente a mesma coisa, digo eu neste momento, daqui a pouco, quem sabe? Afinal, só acrescento perguntas ao assunto. Em que é que ficamos?