sexta-feira, 28 de março de 2014

LEIS DA SEPARAÇÃO – Rui Almeida (Medula – 2013)




“É leitor o que se assombra devagar
E respira para cima da folha,
Para dentro do gesto de escrever (…)

(pág. 13)”


Uma editora nova. O editor, um poeta. Os autores, caminhantes de vereda própria.
Rui Almeida, prémio de poesia Manuel Alegre de 2008, com: “Lábio Cortado” (Livrododia, 2009). Em 2011 edita: Caderno de Milfontes (Volta D´Mar). Autor do blogue: Poesia distribuída na rua.
Agora com: “Leis da Separação”. Edição de apenas 100 exemplares, 25 assinados pelo autor. Livro esgotado. O poeta é uma figura simpática e afável. Atrai e dá de si.
Poesia madura e em movimento. Cinema de palavras. Livro pequeno mas grande no trajeto do poeta. Sei lá quantos passos mas em frente. Enfrentando a dura realidade, como uma tempestade que não se sabe quando acaba.


“Ainda aguentamos um pouco
Até não sermos mais capazes
De conter soluços e versos
Debaixo da insanidade (…)
(pág. 29)”



Traz-nos fé nesta nova editora. A editora de Manuel A. Domingos.
Rui Almeida segreda-nos de peito feito:
“Não digas a ninguém que estás contente (…)”. Eu respeito-o e cumpro. Como classificamos o prazer que nos dá esta poesia? Que nos incomoda e não nos deixa em paz.
“Dorme”  e “sossega” não é possível, poeta.
São poemas destes dias. Apontam o horizonte. Mas para onde caminhamos, se caminhamos. 



“não sei quantos de nós estaremos vivos
No dia em que estes campos
Voltarem a estar verdes (…)
(pág. 44)”



O livro tem desenhos de Carla Ribeiro. Capa de Manuel A. Domingos.
Lê-se em vários galopes que nos atiram ao chão, quase sempre.

28 Mar. 2014

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