quinta-feira, 20 de março de 2014

FILME

Um rosto difuso. Uma morte do dia, empenada e desfeita. Um corpo do outro lado da estrada, sem caos, nem fumo de futuro, apenas céu. O corpo é de gente, mexe-se e levanta-se. Caminha. Apenas nuvens ensolaradas, mais nada, lamento de Deus. Uma rua de Moscavide, junto à estação de comboios, numa antevisão de noite de chuva. Dois carochas antigos estacionados, um dum lado e outro do outro lado da estrada, com cores diferentes. Bicicletas a tilintar, com gente empoleirada. E um biplano com publicidade, a roncar e a virar, em direção ao rio. O corpo desaparece numa esquina antes da noite. Abre-se uma janela e um som de teclas de máquina de escrever enlameia o ar. 

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