quinta-feira, 20 de março de 2014

BOA NOITE

Boa noite, porque é de noite e o meu nome é. Apontamentos para poema, desde 2001 a 2013. Mofo ou cicatriz, o título. Foram uns anos bons. Com partes estúpidas mas bons. Na verdade o autor sobreviveu-os. Magro, muito magro, calado, metro e oitenta, careca, com barbas de revolucionário basco, sempre de fato escuro, camisas escuras, abotoadas até ao último botão, sempre sem gravata, boina negra de contrabandista espanhol. Dias banais transformados em dias únicos. Como todos os dias são únicos com algumas diferenças. Ele nunca usou chapéu ou boné, sempre boina. Já não se fazem por aqui. Seus familiares diziam que era de contrabandista, como se usava antigamente, quando se atravessava a fronteira que mais não era uma ribeira, com o fim de comprar alparcatas. Outros tempos, que se perdem de não lembrados. Não lembrar é sempre uma opção. Boa noite, meu nome é.

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