domingo, 28 de outubro de 2012

ABSTRACT & FREE – o cunho da arte pura & outros escritos




as mãos



             as árvores tensas de vento

manchas verde seco que invadem bairros de pó

as árvores nascentes

que são mães de sol para o dia

pernas de mundo e sonho

ágeis e voláteis

tudo são mãos

o deus do dia é também pincel na tela

colorida louca suja ténue

a rua está suja de tinta como o coração

dos lamentos das pedras

pincela tempos forma a forma

os segundos são árvores

manchas verde sempre seco pairadas no calor

de asfaltos calcados pelos momentos

do sol








os rostos



              têm pontos por onde passa o tempo

têm vozes rasgadas no espaço

que cantam a saudade e a cidade

têm medo da morte dos impulsos

harmónicos da dança das sombras

observa e vê rostos limpos

do suor dos minutos minimalistas

metálicos e fáceis duros e intensos

têm estórias por contar que o silêncio

não perdoa

que significa isso

pergunta o céu e o vagabundo

são mapas sem razão

fundidos no fel das horas infiéis

passam por nós como multidões

sem condão nem enredo





os vazios

               são asas

e ramos sem dança

casas derrotadas

coxas sem passos

são rimas sem pontos

sonetos sem almas nuas

criança sem horizonte

e estrelas sem infinito

sons sem fagote

jazz sem membros

mas também cores

de Rothko e Pollock

com o Grito de Munch

junto com as nossas quietudes

habitadas e seguras






as artes

            mulheres e varandas inclinadas

prédios de traça melancólica

sujeitos a leis de abstracção e liberdade

relvas enxutas de cor de outras estações

pedestais de esquecimento

contra o cinzento dos muros

pintados a spray soprado pelo mar

com vontades etéreas

homens em fatos coloridos e gravatas tristes

e sapatos orgânicos

cães e ruínas

tangos e madrugadas

poemas despidos de noite

esquinas e outras dimensões

bibliotecas esguias eternas santas polidas amantes

corredores sem tecto

onde se espreita os labores incomuns

tudo é uma arte desmedida e fervilhante

um centro de arte moderna quotidiano

pinturas sem vírgulas e documentários sem fundo

tudo existe abstracto & livre como os caminhos

e os acordes marinhos do tempo sinfónico

as harmonias e os ritmos das gentes



(Ago. 12)
 
(de Manuel Vilamontes) 2º Prémio no II Concurso de Poesia da Associação Draca 2012 - Palmela




.


tempo que tempo


e depois fiquei à espera
os ramos dançavam
e a avenida estava morta

os carros não passavam
são àrvores mecánicas
só uma mulher flutuou

até perto de mim
sentou-se
no mesmo banco de jardim

disse-me que eu a esperava
desde quando, perguntei
muito antes de o tempo parar

nem assim a rua se mexeu
os sons roucos não voltaram
deus sabe porquê




.








Nasci embrulhado em cristais de sol


A rua onde nasci descia até um oceano
de vontades e subia com as rugas encavalitadas
dos tempos Naquele tempo as crianças
estavam proibidas de serem boas e a
escola faltava bastante nelas Havia bêbados
encostados em paredes de tijolo à espera
que os bagaços os entardecessem para a
calçada do largo sem igreja nem coreto
apenas casa de pardal florida As mulheres
de sombras belas já nasciam enfiadas num
avental em varandas de metal ferrugem e sonho
Era tudo assim nebuloso e ensolarado Os
prédios inclinados a derreterem-se para cima
dos lentos e chiadores eléctricos A espera
dormida das tardes em banho-maria Os cães
da tasca escura e o papagaio sonolento e
inconveniente de pena verde e bico cinza
Mercearia dum lado taberna do outro
mulheres em sussurros dum lado homens
in vino e voz paredes meias aos gritos
com uma velha televisão e um Eusébio
que marcou três a uns pobres coreanos
Jul.12



(Poema já publicado aqui, mas agora com um novo alinhamento...)

.

sou cão


sou cão
com olhos de chuva
embrulhado
nos sós nevoeiros
de toda a
noite - silêncio

sou medo
mas não do escuro
breu amigo
da luz de mármore
falsa e
encadeia - mulher

sou o rio
que se estica no
brilho da
cidade gordura de
tempo sou
os passos - canção




.




Olé de Coltrane





olé a caminho de madrid
sempre a direito pela a6
paramos meia dúzia de vezes
não houve tempo para cerveza e tapas
apenas para sonhar com d.quixote atravessando
as planícies de la mancha
nem sempre acompanhado por sancho o panças
esse tinha tempo para tapas e cerveza
entramos em madrid
não foi difícil dar com o sitio
avenida para aqui avenida para ali
comentas-te bonito o edifício do novo hospital
juan carlos cheio de janelas côncavas
ou convexas, discutimos
hotel ao pé dos estúdios de televisão
demos uma volta a pé ao fim da tarde
um vento seco e gelado
anunciava o dia mais frio
nevou em madrid nessa noite
mal saímos, lemos e vimos televisão
houve tempo para cerveza e tapas
mais um dia e a operação
tudo certo e organizado
espanha não pode ser assim
não era assim que nos disseram que era
dormi duas noites a teu lado
vestido como estava
podia lá ir dormir ao hotel
contigo ali
e se precisasses de mim
estava onde queria
ainda dei algumas breves passeatas
à noite – sou de passear, é de família
jantei aqui e ali
mas sem ti era comer e ir embora
e uma ou outra cerveza
não é de família, é de mim
andei a ler um autor sueco
sempre que a ansiedade apertava e como apertava
mergulhava no livro de escândalos e crimes
serviu, um ansiolítico literário
o que nunca me tinha acontecido
saíste do hospital
com dores mas de ânimo madrileno
com garra e vontade de viver
mais um dia frio em madrid
e fizemo-nos à estrada
sempre a direito pela a6
vim sempre a ouvir o olé de coltrane
por dentro e em paz
estavas bem, dizias piadas
sobre a tua provável morte
e eu conhecer uma bela madrilena
descrevi-a louraça, fogosa e rica
não sei se gostaste
a viagem cansou-te
mas chegamos de madrid
sem a ter conhecido
não não fui à gran via
nem à porta del sol
tinha coisas mais importantes para fazer
madrid fica para outra altura
haverá outro dia
para lhe gritar olé
não o de coltrane
mas à vida
olé!
experimentem e façam a viagem
é sempre a direito pela a6



.

mas uma viagem



mas uma viagem
tem volta
uma viagem tem
retorno e
nunca ao mesmo
lugar vão -
nem nós somos os
mesmos -
nem sul nem sol
só passos
a perder no amplo
horizonte
tudo é a viagem
amanhã estou
mesmo que
não exista apenas
nesse vírus:
a palavra que se
profere

talvez esteja aqui
e nunca fui
ou se calhar não




.







certa poeta escreveu



que ao longe somos todos
pedras, se calhar
somos circunstâncias
e pó cósmico, se
calhar Deus arrependeu-se
e lamentou o dia
em que fez o barro, a
poeira e a maneira
de existir e a eira
desmedida com gente-ruído
não sei, não vou
perguntar enquanto piso
estas pedras frias
entardece e faz-se frio
regresso com vento
saudade e esqueço-me





.




O meu verbo tem motor volkswagen de 1970.


Não leva água e é refrigerado a ar. Por vezes
não pega à primeira e engasga nos primeiros
tempos. Mas quando começa a rodar ninguém
o pára e aguenta várias horas no mesmo ritmo.
O meu verbo é assim, demora a aquecer mas
deambula  em crescendo numa qualquer maratona
por mais longa que seja e nunca desiste. Não
é nenhum cavalo de corrida, repentista e
imediato, é do tempo em que não havia cinema
e tinha de se descrever as cenas de acção na
sua totalidade ou no sentido que o criador
queira que o leitor as leia, se for assim que o
escritor pense. Sabe-se que o leitor manda. E
é o leitor livre e indomável como os bons o são
que pode transformar um motor lento num
prodígio de velocidade selvática. Um bom
autor depende sempre de um melhor leitor,
alguém entre o mecânico modificador e o
piloto esvairado que faz dum motor verbal o
que ele bem quiser. O meu verbo é lento,
mas persevera e não se conhece desistência.
Se alguém quiser acelerar ao volante do
meu velho volkswagen que o faça. A mim
chega-me este balançar mecânico e esta
luta com o tempo, é o suficiente para chegar
a horas aonde vou. Não interessa onde.


.




&




ou o e comercial & a parceria de 2 versos
atirei-me para aqui em vida & nada mais do que apenas existir
jornal & chinelos
salsichas vinho & aguardente
a melancolia dos bairros
cães gatos & velhas
sombras nuas em vestidos com flores & rabanetes no cabelo
salamaleques no poema e muitos sorrisos & corpos que se perfumam em carne mutuamente
atirei-me do 7º andar do poema & já ia aleijado
não percebo nada disto & ainda aqui estou
todo o poema em duplo de nada sentido com E comercial ou &
fim do poema & fim do sentido
cachaça & gelo
mulher & o fim de tarde estendido mas não como um lençol
a morte & os impostos bateram à porta e não atendi, conduziam um ford capri dos anos setenta e foram espancados à saída do prédio por um grupo de fedelhos
noite & silêncio – uma dupla divina




.






53




havia o rapaz que queria

ser peixe para não ir à escola

vi-o anos depois

já era pai e respeitável

conseguiu o seu desejo de sonho





.




52




não devíamos morrer
devíamos ter tempo para ver um livro a desfazer-se
observar uma árvore crescer e apodrecer em madeira que cai e desfazer-se em matéria de terra
penso que era a ideia inicial de Deus
mas o homem quis desligar a ficha da corrente e fê-lo com inquietude
devíamos ver o sol nascer e pôr-se e ficar o dia a queimar-nos as pernas as costas os ombros
ver a sombra dançar no corpo de está ali
e muito mais em segundos ditos banais
logo se veria como se haveria de viver uma nova contagem de tempo
ou sem contagem
nós não morremos
não temos essa percepção
a não ser de que deveremos morrer se estamos velhos ou mal
e depois – que se passa depois – é o nada absoluto
só morrem os outros
não devíamos ver morrer a ninguém
é uma das  mais cruéis dores a seguir
à sujidade de se viver


.


não gosto do óbvio




do imediato e da primeira escolha

todo o edifício de vidro e néon tem uma traseira e um lado oculto


do lado de lá está a verdade


saber como vive o homem que nos serve ao balcão


aproxima-nos com empatia e sorriso


indiferença e preconceito


saber onde dorme o vagabundo tira-nos o sono


sei lá porque sei


não gosto do óbvio




(22 Ago. 12)




.



Eu não tenho nada

Despi uma vida inteira
e não voltei a vestir coisa nenhuma




.




ficcionar a memória
sempre o fazemos, à medida em que envelhecemos fazemo-lo mais e mais
morremos numa ficção de recordações
e uma mão-cheia de realidades
das mais marcantes

ficcionar a memória
ou espancar o agiota
venha o senhor das mentiras e escolha
eu espanco o agiota de fato pindérico
e guardo essa boa sensação




.






gosto do sol
mas não o suporto
nasci do sol
e fujo dele

gosto do sol
sou do meio dia
pertenço ao sol
mas vivo no limite
da sombra

não gosto da sombra
não pertenço à sombra
ao sol todos valemos
na sombra ocultamos

gosto da abstracção
e do ritmo livre
não gosto da confusão
nem do caos
não o rogo a ninguém

sou apenas muito branco
para tanto sol
e africano e indiano no coração
sou toda a gente

sem fronteiras
e gosto do sol
sem excepção de ninguém
criança ou velho todos
e então gosto do sol




.


Quando descubro um poeta novo
    fico feliz sete dias seguidos
Quando descobri Gullar que não tem de novo
    só a sua poesia
    nunca mais deixei de sorrir por dentro
Sua poesia nunca perde
    a meninice da descoberta
    e do deslumbramento
    e perdura
    mais do que o poema e o seu momento



(ficava bem aqui uma foto do Ferreira Gullar, mas não)





.




mãe, vais esquecendo




até casa e perguntas-te como entrei em casa
e na verdade pendurei-me numa varanda num segundo andar
e acabei por entrar mas não sabes disso
no outro dia o meu colega devolveu-me o blusão
e perguntou-me onde me meti o concerto todo
numa tenda da cruz vermelha numa espécie de coma
mas depois mãe, passei a portar-me bem
e até demais
e hoje faço quilómetros para almoçar contigo
porque te esqueces de comer
e comigo almoças
mãe, vais esquecendo
a vida é uma treta e bem mais do que isso
maltrata-nos sem razão
às vezes ralho contigo porque fazes disparates
e dizes que a gata fala
mas reconheces ainda: é a doença
sempre foste forte
e enfrentas o monstro com teimosia
e um estranho humor alentejano que espero herdar
mãe, vais esquecendo
enquanto te lembrares
eu estou aqui




Jul. 2012


.




Nasci embrulhado em cristais de sol
A rua
onde nasci descia até um oceano de vontades
e subia com as rugas encavalitadas dos tempos
Naquele tempo
as crianças estavam proibidas de serem boas
e a escola faltava bastante nelas
Havia bêbados encostados em paredes de tijolo
à espera que os bagaços
os entardecessem para a calçada do largo sem igreja
nem coreto
apenas casa de pardal florida
As mulheres de sombras belas
já nasciam enfiadas num avental em varandas de metal
ferrugem e sonho
Era tudo assim nebuloso e ensolarado
Os prédios inclinados a derreterem-se
para cima dos lentos e chiadores eléctricos
A espera dormida das tardes em banho-maria
Os cães da tasca escura
e o papagaio sonolento e inconveniente
de pena verde e bico cinza
Mercearia dum lado taberna do outro
mulheres em sussurros dum lado
homens in vino e voz paredes meias
aos gritos com uma velha televisão
e um Eusébio que marcou três a uns pobres coreanos




.




não gosto de ler
bukowski em português
não resulta
é como uma tradução
de tom waits
imaginamos a voz a dizer
aquilo e
não acreditamos
mas em espanhol
já dá
talvez porque gosto
de poesia em espanhol
castelhano ou não
mas gosto de raymond carver
em português
a melancolia
salta toda para cá
como uma torre de habitação
de subúrbio
entre relva triste
e um ou outro velho




.




não sei o rebelde
o rebelde não sabe
a rebeldia nunca o soube
o vento jaz
o jazz não aquece a criança
corpo nú
não queima a solidão
não sei a rebeldia
para que serve a vida
porque mente a morte
porque aplaude o pássaro
de todas as horas passadas
perdi o rebelde
no comboio de todas
as alvoradas
montanhas secas do futuro
o que enrola
o rock and roll
onde está sepultado
o medo
não sei o rebelde
em mim
ou no outro
que caminha
noite de viagem
dura e em canto




.




respeito o poeta
mas sou tão colina
de lisboa
bicicleta e criança
mulher e bêbado
tasca e igreja
torre feia e jardim de além-mar
que às vezes esqueço o poeta

quero lá saber do poeta
quero a coxa de mulher e a relva
o rio espelho tranquilo
o barco e a ginjinha
a tela do francês exilado
e os risos da holandesa
bela de manchas
entre o nariz e os olhos

os olhos
são verdes para o castelo
e o anoitecer
podiam ser para mim
mas estou no vento
e na colina
como disse
skate e petiz

tasca e sorriso
tudo para um dia só
amanhã
os pardais espreguiçarão
outro pôr-do-sol
entre um fado e uma morna
porque Lisboa
é mais do que um poema




.




E depois de Neruda




Nunca mais o amor será tão fogo líquido e solar
chama antiga rubra depois de Neruda

Tão mulher e colina deusa de Lisboa
muralhas com dorso deitado ao rio em rubor

E depois de Neruda como fica o amor dos corpos lunares
e todo o fogo vulcão veias de leite e mel

Como ficam as mãos secas de calor em festa
e as ruas a calcorrear em corpos de suor depois de Neruda


(Poema revisto. Penso que assim está melhor.)




.




herói é o que perde
o que se levanta

e luta de novo
o homem que não desiste

não desistir
é uma medalha de eternidade

saboreio
as tuas rugas de esforço

dor e passos surdos
suor de estrada seca




.




flor azul
é manipulação

beleza de laboratório
brincar a deus

plantar poesia
como pinheiros entre

os dedos
é como uma tarde de soleira

à beira
de um qualquer dia futuro~




.




Mofo - I




Quero o poema
sóbrio
com um sorriso de tequila
desperto como um dia que nasce com o rio ao fundo
sempre que decido não gastar
dinheiro em comida quando posso gastar
com poemas e enxovalhos de velhas carpideiras e falaciosas
que me deitam olhares de coruja e entardecer,
quero assim o poema
solto e mexicano
como uma balada ébria de Dylan o que canta,
não o que bebia e que morreu faz umas décadas
esse era poeta de excepcionalidade
Quero o poema
estendido e divagante
como uma melodia eterna
que não acaba porque não queremos
como os dias que acabarão
quando eles bem quiserem
No fundo quero que o poema
contenha tudo eu e tu
e o que mais entre nós
seja o mundo pequeno
ou de avalanche
seja o todo uma mistura de todos
ou apenas a mesma feira de questões
de fundo
Querer esse espantoso começo
como se deus se desenhasse
a cada sonho
cidades imaginárias
édens de dante em tons de azul
e preguiça
Mas o poema
são torres cinzentas de subúrbio
gotejam humidade nos cantos
velhos deitados sussurram
uns aos outros
ouvem-se pelos canos
contam estórias antigas
pois todas as histórias são de ontem
e morrem gritando indignidades
o poema sofre assim
mas respira tudo isso como
se fosse um aspirador metafísico


(Jun. 12)


.




ouro e cascalho
no caminho

poemas de bandeira e nervo
de poeira e sangue

uma paisagem de mato
oliveira e restolho

tu e eu
a sorrir ao sol

ouro e cascalho
e os nossos olhos

as nossas bocas
e tanta palavra que voa

ouro e cascalho
no caminho




.



troca os verbos
e confunde-os

eles que aprendam a ler
eles, os átomos

e os deuses
da colina um pouco mais além

troca os verbos
e sopra-os

danifica-os daninhos
à medida que vão florescendo






.




um poema
pode ser uma estátua
musgo contemplativo
na sombra
ou corpo sangue de luz
sorriso de vento
no meio da rua

pode ser tudo isso
ou absolutamente nada







.








que tens recebido

que tens para dar

como estão as tuas espectativas

o mundo

a rua




.




se não tinha



porque é que gastou?

e eu não soube responder embora saiba a resposta

numa perspectiva de silêncio

se não tinha

porque é que gastou? senhor ministro senhor do talho senhora das limpezas diabo simples das esquinas

oh, os olhos fechados

chamam o silêncio




.




as pessoas morrem
ficam só os seus passos
que bonito é aqueles pés nus desenhados no chão
foi gente que passou ali
as pessoas morrem
ficam só os passos




.


"Outlaw Pete"




Todos os dias os vagabundos precisam de comer.
Todos os dias os vagabundos precisam de dormir.
Todos os dias os vagabundos precisam de beber.
Todos os dias os vagabundos vão pedir até conseguir.
Todos os dias até morrer.


.
todos os dias, todos os dias